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domingo, 9 de setembro de 2012

Salve Jorge! Salve Jorge Salomão! Salve!


Foto: Leyla Alban / Salvador

Quinta-feira. Encontro marcado. Barzinho no Rio vermelho, bairro boêmio e poético de Salvador, galera antenada, música MPB, clima aconchegante e propício para uma breve e agradável entrevista com o inspirador Jorge Salomão.

Figura curiosa, exótica, inteligente, criativa, provocadora, talentosa e espirituosa, ativista cultural, poeta, típico representante de uma época efervescente e criativa e autêntico protagonista do movimento Tropicalista.

Aproveitando sua rápida estadia pela cidade, nos encontramos e entramos em "clima" saudosista, percorremos caminhos através do tempo, discorremos sobre a vida ... seus trabalhos ... seus planos ...

1- Qual o motivo de sua passagem por Salvador e outras cidades?

 J.S. - Coletar entrevistas sobre o livro que estou escrevendo sobre Waly - " 2 ou 3 outras coisas que sei dele, Waly,Waly". O livro são narrações de nossas experiências em Jequié, Salvador, Rio de Janeiro e pelo mundo. São relatos de nossas vivências e lutas, estratégias da vida e do mundo.

2- Qual a data prevista para lançamento do livro?

J.S. - Março/2013. Em maio fará 10 anos sem Waly, estão previstos outros eventos que marcarão a data.

3- Em que consiste o livro?

J.S - O livro só tem textos, apenas 1 foto, de leitura fácil e resumida, dispõe de ricos  detalhes e é um relato poético sobre as circunstâncias de nossas vidas, o que me possibilita  fazer agora algo tão afetuoso quanto esse.

4- Como era seu relacionamento com Waly?

J.S. - Éramos unidos e solidários, ideologicamente solidários. Passamos por situações difíceis, éramos diferentes, mas no fundo nos entendíamos bem. Ele era uma pessoa difícil e radical, irmão mais velho ... existiam diferenças. Esta é uma homenagem simples e direta. Encontramos caminhos distintos.

5- E os seus projetos pessoais?

J.S. - Claro, o livro sobre Waly é um deles. Outro é o espetáculo "Eu não sou um poeta, sou um malabarista! o espetáculo traz 50  poemas de minha autoria, fala sobre o papel da poesia em minha vida e o nome é um deboche sobre pessoas que acham que tem poesia, mas são acadêmicas, convencionais, cheias de coágulos culturais. No espetáculo canto e danço, conduzo de um jeito livre e criativo, alegre e belo.

6 - E sobre o memorável Movimento Tropicalista?

J.S. - Foi uma ruptura radical da cultura brasileira. Foi um coágulo, a ditadura tolhiu as liberdades individuais. O tropicalismo segurou a onda, revolucionou comportamentos e abriu espaço para o surgimento de novas e vibrantes estéticas para a época.

7- Fale sobre os seus trabalhos individuais ...

J.S. - Crio capas de disco, cenários de shows, como "Velô" de Caetano Veloso; "Fulgaz" de Marina; "Maior Abandonado" do Barão Vermelho.

No quesito música fiz várias parcerias, entre elas, Frejat, Marina Lima, Cássia Eller, Adriana Calcanhoto e muitas outras.

Trabalho com serigrafia, por exemplo no meu retorno a N.Y. fiz um trabalho chamado "Suingue", que significa energia.

No ítem livros, o "Mosaical" é uma seleção de poemas e letras de músicas já gravadas e publicadas. Outro "Olho no Tempo", uma ficção cinematográfica, "Campo da América" que é uma referência ao Campo do América, homenagem ao poeta beatnicks, "Sonoro" é um livro de poemas e reflexões poéticas, "Estrada do Pensamento" é uma prosa filosófica, "Conversa de Mosquitos" são elocubrações sobre a vida, "... Waly adorava o nome desse livro, então dediquei-o à memória dele ...", disse Jorge.

Já trabalhei como ator de cinema em "Malu de Bicicleta", "Perigo Negro", "Casa 9".

8- Qual a fonte de inspiração para a sua arte?

J.S. - Antenado com o foco, busco concentração e realizo dentro do que eu quero, para desenvolver os meus trabalhos, como as capas de disco, poemas, textos, etc. E filosofando " ... estrangulo as minhas vontades, vontade absoluta de possibilidades, vontade de tesão pelo fazer e realizar ..."
Gosto de trabalhar,  diariamente exercito tudo, leituras diversas, mantenho o espírito aberto e libertário, pensamento ideológico e utópico. Estou aceso e antenado. A vida é pulsante. Prestigio os eventos da vida cultural brasileira.
E para encerrar ..."é preciso ficar antenado no sentido de possibilitar caminhar nos meus sonhos ...".

O breve encontro com Jorge foi marcado por um (re)encontro com suas memórias e um convite ao leitor para sair de si mesmo e entrar nesse mosaico de ideias interessantes e coloridas.


Foto: Leyla Alban / Salvador

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Exposição "Trio Elétrico, As Cores da Alegria"




Como poetiza a música de Caetano Veloso ... "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu ..."  Ângela Cristina Filgueiras de Matos, assina Ângela Filgueiras de Matos foi não só atrás do trio elétrico como através de suas lentes sensíveis enxergou e registrou as cores e a alegria que emanam desse objeto gigante e indescritível que, vaidoso, expõe seus mistérios e beleza ao longo das idas e vindas, das subidas e descidas das ruas e avenidas dessa energizante capital do eterno carnaval - Salvador, na Bahia.

Mas qual foi seu passo inicial? eternizar o instante e verbalizar através de imagens o momento mágico, a percepção única que só o artista sabe ver, só o mago das lentes consegue absorver a lentidão dos movimentos de um quase monumento histórico e cultural.

E os efeitos expressivos podemos apreciar num belo e sensível ensaio fotográfico individual o TRIO ELÉTRICO, AS CORES DA ALEGRIA no qual aproveita os momentos de descanso dos Trios para nos mostrar a arte que eles carregam e que passa despercebida pela multidão que canta e dança em torno "dessa galeria ambulante, um grande camaleão que some e aparece na multidão que o cerca", como disse Marcelo Reis, seu mestre na arte de educar o olhar, já que o tom da poesia da lente faz parte do universo de Ângela.

O Museu Geológico da Bahia - MGB, situado no Corredor da Vitória, teve a honra de receber os interessantes registros de Angela Filgueiras de Matos, graduada em Administração de Empresas e Economia e tem como hobby a fotografia.

Vale ressaltar que as experiências de Ângela vem sendo desenvolvidas através de eventos e segundo ela, "... gosto mesmo é de fotografar livremente, o que atrai o meu olhar..."   

1- Como surgiu a paixão pela fotografia?

De forma natural. Aos poucos a gente percebe que admira e gosta mais de determinada coisa que a maioria das pessoas que estão a nossa volta. A admiração e a contemplação é mais intensa. Observar as imagens, apreciá-las, visitar exposições e ler sobre o assunto são atividades prazerosas e enriquecedoras.

Vive-se um ciclo de desenvolvimento gradual aberto: você admira as fotos que vê, compra uma máquina, deseja e faz um curso e passa a fotografar observando e aprendendo sempre.


2- Existe algum tema de seu interesse?

Fotografar é uma grande janela aberta, através dela um universo a fotografar. Disponho de muitas fotos sobre diferentes temas. Estou definindo o novo tema a apresentar em 2013.

Desde 2003 o assunto trio elétrico está em evidência. Os trios são coloridos e estampados com arte e isso me atrai bastante. Essas máquinas de som unem tecnologia e arte.


3- O que a motivou a fazer essa exposição sobre o Trio Elétrico?

Chamar a atenção para os trios propriamente ditos. No carnaval a atenção do povo fica mais voltada para os cantores e para a banda. Neste ensaio, o trio é o elemento principal.


4- Quanto tempo você trabalhou para a exposição?

Os registros fotográficos foram realizados em Salvador, Bahia, no trecho Barra/Ondina - Circuito Dodô, nos Carnavais de 2003 a 2005 e 2007. Com o passar do tempo observa-se que os trios se renovam, modernizam-se, ganham sofisticação e novos espaços, mantendo a imponência e a criatividade.  



5- Existe outro trabalho em seus planos futuros?

Dois projetos. O primeiro é em 2013 uma exposição atualizada sobre os trios, incluindo fotos de carnavais mais recentes. Também faz parte deste projeto, levar esta exposição para outros Estados pois houve boa receptividade daqueles que não são da Bahia e que deixaram comentários incentivadores. O segundo projeto e uma nova exposição, para esta, ainda não escolhi a temática. Estou examinando o material e quero aos poucos compartilhar as fotos que fiz com aqueles que gostam de apreciar fotografias. 



O soprodeideiasnoar aplaude o belo ensaio fotográfico registrado através de um olhar poético a magia que exala dos poderosos trios elétricos.


Foto: Ângela Filgueiras


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A Arte de Maria Dulce – Talento Baiano

Exposição "Cotidianos" . Foto: Leyla Alban


As técnicas utilizadas pela artista plástica Maria Dulce S. M. Tourinho, assina Maria Dulce em sua exposição intitulada "Cotidianos"  busca não só expressar sua paixão pela arte, transformada em  contornos delicados através de seus pincéis multicoloridos, como ressaltar a vida com o seu leve toque de feminilidade.


Maria Dulce é artista plástica formada pela Universidade Federal da Bahia em 1997, desde então tem participado de diversas exposições, sejam individuais ou coletivas, dentro e fora do estado da Bahia, recebendo elogios e premiações pelos belos e significativos trabalhos.


Como exemplo, participou do Salão Nacional de Belas Artes pelo Sindicato dos Contabilistas de São Paulo, em Campinas recebendo o prêmio “Pequena Medalha de Prata”.


E nessa longa caminhada que se iniciou em 1996, vem se destacando pelo senso de observação e sensibilidade em retratar temas simples e do cotidiano, imprimindo a sua personalidade e sua marca pessoal.


1-O que a motivou a pintar?

M.D. - Desde a infância sempre apreciei a pintura, comecei pintando blusas, tecidos, cangas e materiais diversos como pratos, garrafas caixas, dentre outros objetos, dando vazão ao movimento da criação.


2- Existe algum tema de sua preferência que deseja revelar?

M.D. - Gosto de pintar figuras, sem identificação, ou seja, figuras anônimas. Tenho preferência por temas simples, além de pessoas andando, sentadas, conversando, pescando. E também marinhas e flores.

Outra preferência são as texturas feitas com tecido, papel, papel marchê e outras técnicas. Desenvolvo mais um trabalho impressionista com uma tendência figurativa.


3- Nessa exposição, como surgiu a ideia de pintar contornos de figuras humanas?

M.D.- Como sou uma pessoa observadora, resolvi desenvolver uma série de trabalhos retratando temas simples do nosso cotidiano, representado nas obras " GENTE"" ",   "CASAL ",  "DEVANEIO" ou de um cotidiano passado, como " LAVADEIRAS",  “PROCISSAO”  e  ABAETE ”.



O soprodeideiasnoar  divulga e valoriza o trabalho dessa artista baiana que emana talento e poesia. Vale a pena conferir a bela exposição "Cotidianos" na Aliança Francesa de Salvador.






Fotos tiradas na exposição por Leyla Alban.



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Um Olhar “Sustentável” Sobre a Rio+20



Em tempos de Rio +20, o soprodeideiasnoar pega carona no encerramento da Conferência para refletir sobre os resultados finais e entrevista Joseh Severiano membro da Fundação Terra Mirim (www.terramirim.org.br) que é uma comunidade ecológica espiritual com ênfase no xamanismo, localizada em Simões Filho, na Bahia.


Na Rio+20, Joseh participou do encontro da CASA - Conselho de Assentamentos Sustentáveis das Américas, que consiste em uma rede que está se formando na América Latina cujo objetivo é agregar experiências e projetos de assentamentos e comunidades sustentáveis, ecovilas, institutos de permacultura, agroecologia, aglofloresta, ecopegagogia, cidades em transição (ecobairros), dentre outras, visando integração e fortalecimento mútuos.

1     1- O que você achou da Rio +20 ?

R-  A Rio +20 agregou uma diversidade de encontros e eventos que aconteceram no Rio de Janeiro durante este período, em paralelo ao evento oficial promovido pela ONU, que reuniu delegações oficiais e chefes de Estado. Foi uma grande quantidade de grupos e pessoas da sociedade civil se apresentando, reunindo-se, buscando articulações, em diversas áreas, tais como: ambiente, economia e redes solidárias, tecnologia, política, grupos étnicos, religiosidade, redes virtuais livres, agricultura, cultura, educação, dentre outros.
O encontro da sociedade civil na Rio+20 ocorreu em face da possibilidade de empoderamento e fortalecimento de projetos e redes diversas, do encontro entre irmãos e irmãs no mundo com objetivos comuns, ou seja, a busca da transformação da sociedade, em seus amplos níveis. Esses encontros foram pouco divulgados na mídia. Ao contrário da sensação de pouco avanço que ficou do encontro oficial, aquele mais amplamente divulgado, a percepção e sentimento é que realmente temos que agir e nos unir. 


2       2-   E qual a visão de futuro?

R- É a possibilidade de ampliação dos vínculos dos vários grupos, visando um bem maior para si e para a humanidade. Atuar em seus lugares, cidades, mas também em redes, num nível nacional, global. O compromisso maior é com o coração da Terra.


3      3- E o amadurecimento desses grupos?

R- Percebe-se que já está acontecendo, já existem grupos que estão vivendo novas possibilidades sociais, econômicas e políticas, etc., ou seja, saíram do estágio de questionamento e já atuam na prática, forçando os governos a adotarem realmente a sustentabilidade, a solidariedade, etc. de forma efetiva.


4      4- Valeu?

R- Totalmente.  Não só pela possibilidade dos encontros como perceber que já existem instrumentos e ferramentas disponíveis, seja econômica, social, política, técnica para vivermos de uma maneira mais sustentável e solidária. A sensação é de que agora, mais do que nunca, é um momento de compartilhar, de se articular para fortalecermos o que acreditamos e nos apoiar mutuamente. Este, por exemplo, é o objetivo da CASA, a rede que faço parte.


5     5-  Qual o grande desafio?

R- Dizer sim para esses instrumentos e articulações e tentar influenciar os líderes políticos e as instâncias hegemônicas do mundo a romper com as antigas e atuais estruturas de poder. São sonhos. Mas, os sonhos se realizam assim, no dia a dia, fazendo, criando...


O soprodeideiasnoar abre espaço para avaliar os avanços desse mega Evento e ampliar os olhares nas perspectivas futuras do nosso planeta.