quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carnaval: O Início do Palco Democrático



Para se ter uma visão histórica do início das bandas e dos blocos de carnaval de Salvador/Bahia, cujo princípio básico era tocar para o povo nas avenidas e ruas da cidade que até hoje permanece como palco e o coração dessa grande folia.

O carnaval é a mais pura manifestação do patrimônio da cultura baiana. A espontaneidade, a alegria e a diversidade são sinônimos desta mega festa.

A partir de 1950 o trio elétrico foi um meio que o povo encontrou para disseminar alegria. Já por volta dos anos 1960 e 1970 o povo foi para o meio das ruas, brincando e tornando a festa verdadeiramente popular.

Os blocos de trio apareceram por volta de 1978 com o Camaleão e de lá pra cá só cresce esse mercado andante altamente competitivo e rentável. Um fenômeno!!!

A criação e a fonte de inspiração carnavalesca deve muito a cinematografia, que vem desde os anos de 1920, mas só começa a entrar no carnaval no fim dos anos 1940. Os blocos baianos se espelharam nesse universo de magia e no apelo visual das fantasias para reproduzir nos blocos.

Vemos, então, por ordem cronológica o movimento dessa equação de diversidade, que centra até hoje no princípio da pluralidade. É um verdadeiro êxtase de uma máquina que não para, não cansa, não desanima, só aglutina.

Vejam um pouco do histórico dessa “varanda da alegria”:

1894 – Surgem os afoxés com os ritmos das batucadas

1900 – Surgem os bailes de máscaras com as marchinhas e bandas de sopros

1947 – Criação do bloco Arranca Toco que depois passou a se chamar Mudança do Garcia

1949 – Criação do afoxé Filhos de Gandhy

1950 – Dodô e Osmar criam a Fobica que se apresentava com guitarras elétricas e amplificadores

1960 – Surgem as “mortalhas” contrastando com os Pierrôs e Colombinas

1962 – Surge Os Internacionais

1964 – Bloco do Jacu

1970 – Surgimento dos blocos

1972 – Movimento da Tropicália – Caetanave

1974 – Surge o bloco afro Ilê Aiyê

1975 – 25 anos de Trio Elétrico

1978 – Surge o Camaleão

1979 – Fundação do Olodum

1981 – Surgem os blocos afro Muzenza e Ara Ketu

1985 – Lançamento do “Fricote” por Luiz Caldas e Paulinho Camafeu dando início ao Axé Music

1991 – Surge o Chiclete com Banana

1992 – Surge a Timbalada

1993 - Surgem os “abadás” - o primeiro bloco a adotar foi o Eva, comandado pelo Asa de Águia.

1995/96 – Instalação dos camarotes nos espaços públicos

A partir de 2000 começou a profissionalização dos trios elétricos e consequentemente essa manifestação do patrimônio cultural da Bahia como uma inesgotável fonte de alegria e energia.

E na composição de Moraes Moreira e Armandinho Macedo em “Chame Gente” ….

"Ah, imagina só
Que loucura é essa mistura
Alegria, alegria o estado que chamamos Bahia
De todos os santos, encantos e axé
Sagrado e profano, o baiano é carnaval
No corredor de história
Vitória, Lapinha, Caminho de Areia
Pelas vias, pelas veias
Escorre o sangue e o vinho
Pelo mangue Pelourinho
A pé ou de caminhão
Não pode faltar a fé
O carnaval vai passar
Na Sé ou no Campo Grande
Somos os Filhos de Ghandy
De Dodô e Osmar
Por isso chame, chame, chame, chame gente
E a gente se completa
Enchendo de alegria
A praça e o poeta
É um verdadeiro enxame, enxame, enxame de gente
E a gente se completa
Enchendo de alegria
A praça e o poeta"



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Das Marchinhas, Confetes, e Serpentinas até o Trio Elétrico ... Os Tempos de Momo!



 
Em época de web, os internautas buscam novidades, inovações e acima de tudo novas tecnologias voltadas para o rico e crescente universo do carnaval, mas não podemos esquecer que o carnaval do passado viveu dias tão gloriosos quanto os atuais, e sem me deter em clima de saudosismo, nem poderia, afinal a fila anda rapidamente, querer reverenciar aquele que foi o início de tudo, o início do eterno carnaval é sempre muito prazeroso e altamente gratificante.

Voltemos aos bailes das máscaras, das serpentinas e dos confetes coloridos jogados aos montes nos salões ao som das inesquecíveis marchinhas de carnaval ... tinha poesia ...

“Pastorinhas” de autoria Noel Rosa – Braguinha - 1934
“A estrela d'alva no céu desponta
E a lua anda tonta com tamanho esplendor
E as pastorinhas pra consolo da lua
Vão cantando na rua lindos versos de amor

Linda pastora morena da cor de madalena
Tu não tens pena de mim
Que vivo tonto com o teu olhar
Linda criança tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre sempre te amar”
“A Jardineira” de Benedito Lacerda – Humberto Porto - 1938

"Ó jardineira porque estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem jardineira vem meu amor
Não fiques triste que este mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu"
 
“Quem Sabe, Sabe”  de autoria de Jota Sandoval-Carvalhinho - 1955

"Quem sabe, sabe
Conhece bem
Como é gostoso
Gostar de alguém

Ai morena deixa eu gostar de você
Boêmio sabe beber
boêmio também tem querer"
E dentre tantas outras ... “Máscara Negra” de Zé Keti- Pereira Mattos - 1966

“Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval”

Em meio às danças do baile, os olhares se cruzavam, as máscaras impediam que as identidades fossem reveladas e no dueto de Chico Buarque com a inesquecível Elis Regina, na canção “Noite dos Mascarados” ...

“Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a
festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
O que você pedir
Eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
“

E nesse clima de “deixar o barco correr” o anonimato das máscaras protegiam os desejos mais secretos e íntimos de viver tudo que se quisesse, sem medo de ser feliz ...

A atração que esses bailes de máscaras exerciam nas pessoas era fascinante, envolvente e tentador e a sensação que produzia era a de invisibilidade, fetiche e liberdade. 

E, claro, com o passar dos anos e a evolução natural dos tempos, as coisas mudaram, e muito, o carnaval ganhou menos adereços, menos roupas, menos pompas, menos tudo ...  só o que não mudou é a alegria, esta sim, continua a mesma,  contagiante, efervescente, energizante. 

E sem esquecer que o palco está aqui na Bahia e que vem de tempos atrás, essa festa de alegria e alegoria faz parte da cultura da folia baiana. 

Já na década de 70, “Atrás do Trio Elétrico” de autoria de Caetano Veloso,

“Atrás do trio elétrico
Só não vai quem já morreu
Quem já botou pra rachar
Aprendeu que é do outro lado
Do lado de lá do lado
Que é lado  lado, de lá

O sol é seu, o som é meu
Quero morrer, quero morrer já
O som é seu, o sol é meu
Quero viver, quero viver lá
Nem quero saber se o diabo nasceu
Foi na Bahia, foi na Bahia
O trio eletro-sol rompeu no meio dia
No meio dia”

"Chuva,  Suor e Cerveja", também de Caetano Veloso - 1971
"Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrô molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha veja deixa beija seja
O que Deus quiser

A gente se embala, se embola
Se enrola, só pára
Na porta da igreja
A gente se olha
Se beija, se molha
De chuva suor e cerveja"
 

 "A Filha da Chiquita Bacana" de Caetano Veloso - 1975
"Eu sou a filha
Da chiquita bacana
Nunca entro em cana
Porque sou família demais
Puxei à mamãe
Não caio em armadilha
E distribuo banana
Com os animais

Na minha ilha iê iê iê
Que maravilha iê iê iê
Eu transo todas
Sem perder o tom
E a quadrilha toda grita
Iê iê iê
Viva a filha da chiquita
Iê iê iê
Entrei pro women's liberation front"

Foi através dessas músicas de Caetano que divulgou para todo o Brasil o fenômeno que estava restrito apenas em Salvador, que era o trio elétrico.

Teve origem em Salvador em 1951 e ao longo das décadas se tornou o grande atrativo do carnaval da Bahia, um verdadeiro fenômeno de massa.

Foi uma criação de Antonio Adolfo Nascimento, o Dodô e seu amigo Osmar Álvares Macedo que adaptaram uma fobica ligando à bateria do automóvel a um violão e um protótipo de guitarra e saíam pelas ruas tocando músicas atraindo uma multidão. Estava escrita a história da maior festa popular do mundo.

Com o aperfeiçoamento das tecnologias foram melhorando a performance dos trios e nos dias de hoje, vemos caminhões adaptados com aparelhos de sonorização que tocam músicas ao vivo. É um espetáculo a parte.

A medida que os trios foram ampliando em tamanho, surgiu a necessidade de organizar os foliões por blocos e para isso, necessitava de uma identificação. Foram os tempos das “mortalhas” aqueles camisões coloridos que eram verdadeiros roupões, cobria todo o corpo, se duvidar, até os pensamentos ... rsss...

Então, os blocos saiam nas ruas e passaram a se isolar dos demais foliões por meio de cordas de segurança. Tudo era bem civilizado, popular e participativo e o tempo passa ... sem pressa, os blocos vão substituindo e aperfeiçoando as fantasias, chegando nos "abadás" até os dias de hoje, que consiste em camisas com a identificação do bloco.

Existe uma verdadeira indústria do carnaval, tudo é profissionalmente muito bem planejado e organizado com bastante antecedência, os foliões pagam muito bem para fazer parte do bloco de sua preferência e objeto de desejo, não só pelos artistas, mas por outras atrações como a banda, o/a vocalista, os convidados, e por todos os burburinhos, aparatos e movimentos que circulam e circundam todos os dias da festa. 
E que festa !!!

Para se ter ideia, movimenta um mercado publicitário milionário,  uma verdadeira disputa pelas cotas de patrocínio e pelos melhores e mais visíveis espaços. Todas as TVs e antenas estão de olhos ligados em Salvador / Bahia.
É o maior espetáculo popular do Brasil e se não for pretensão dizer, do mundo.

O advento do trio elétrico marcou não só o hit do carnaval baiano como alavancou a economia local com o turismo cultural.

E, para entrar no clima dessa festa contagiante e energizante, só no embalo da música de Marcia Freire “Lambada de Delícia/Kirika na Buçanha” no refrão ...

“Já é carnaval cidade
acorda pra ver (bis)
a chuva passou cidade
e o sol vem aê (bis)”

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

FILME / MOVIE: Simplesmente Complicado / It's Complicated



É um longa leve e divertido que se passa em Santa Barbara, CA e conta a história de Jane (Meryl Streep) que após 10 anos de separação e de uma relação amigável com o ex marido Jake (Alec Baldwin), em apenas um (re)encontro na festa de formatura do filho, as coisas começam a ficar complicadas ou simplesmente descomplicadas (?) para ambos.

Vamos conhecendo Jane, uma mulher forte, decidida, empresária do ramo de delicatessen, está refazendo, e tem conseguido, a vida nesses anos de separação junto aos três filhos, agora já adultos.

E Jake é advogado bem sucedido, sócio de uma empresa de advocacia, casou-se pela segunda vez e também está refazendo a sua vida junto com a nova família.

Na festa de formatura do filho, ambos se reencontram e sem pretensões, passam a noite juntos, em consequência dessa noite, passam a se encontrar regularmente, fazendo com que Jane se considere amante do ex marido. Ops!

Nesse ínterim, Jane conhece Adam (Steve Martin), um arquiteto que foi contratado para fazer o projeto e a reforma da sua casa. Ambos tem uma simpatia mútua, passam a se encontrar e ter bons momentos juntos.

Só que as coisas vão tomando rumos que fogem do controle de Jake e asseguram mais a decisão de Jane. Será ?!?!

Só assistindo essa deliciosa comédia para conferir a trama que se desenrola num clima contagiante e extremamente agradável. Pura diversão sem compromisso.

Destaques para os desempenhos de Meryl e Alec protagonizando com naturalidade e eficiência o casal formado por Jane e Jake, respectivamente, e Steve interpretando um tipo sério, bem diferente dos personagens habituais.

Escrito e dirigido por Nancy Meyers. EUA / 2009.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Grammy 2012





A principal premiação da indústria musical americana o Grammy Awards promovida pela Academia Fonográfica Americana que anualmente premia os melhores artistas e lançamentos musicais, ocorreu no último dia 12/02 deste ano em sua 54ª Edição no estádio Staples Center de Los Angeles.

O apresentador da festa foi o rapper LL Cool J. e essa edição aconteceu com o retorno da cantora soul Adele que estava afastada por motivo de saúde, sendo aplaudida de pé e recebendo muitas premiações.

A cantora Jennifer Hudson se emocionou ao prestar homenagem a inesquecível Whitney Houston cantando o hit I Will Always Love You.

A grande festa terminou com Stevie Wonder apresentando a último número da noite e Paul McCartney cantando My Valentine.

Confiram abaixo a lista dos vencedores:

Gravação do Ano
“Rolling In The Deep”- Adele

Álbum do Ano
“21” – Adele

Música do Ano
“Rolling In The Deep” – Adele

Performance Solo Pop
"Someone Like You" - Adele

Performance Duo ou Grupo
Tony Bennett & Amy Winehouse - "Body And Soul"

Álbum Pop
"21" - Adele

Performance Rock
Foo Fighters - "Walk"

Performance Hard Rock/Metal
Foo Fighters - "White Limo"

Música de Rock
Foo Fighters - "Walk"

Álbum de Rock
Foo Fighters - "Wasting Light"

Disco de Música Alternativa
Bon Iver - "Bon Iver"

Melhor Performance de Rap
"Otis" - Jay-Z & Kanye West

Melhor Parceria/Rap
"All Of The Lights" - Kanye West, Rihanna, Kid Cudi & Fergie

Melhor Álbum de Rap
"My Beautiful Dark Twisted Fantasy" - Kanye West

Melhor Álbum de R&B
"F.A.M.E." - Chris Brown

Melhor Álbum Country
"Own The Night" - Lady Antebellum

Melhor Performance Country Solo
"Mean" - Taylor Swift

Melhor Vídeo Musical - Curto
"Rolling In The Deep" - Adele

Melhor Vídeo Musical - Longo
"Foo Fighters: Back And Forth" - Foo Fighters

Artista Revelação
Bon Iver

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Adeus a Whitney Houston




Discorrer sobre Whitney Elizabeth Houston (1963-2012) é enaltecer a produtora, atriz, modelo e cantora gospel, soul, pop e uma das artistas mais premiadas e reconhecidas internacionalmente de todos os tempos.

Deixou como legado não só uma extensa e atuante discografia e filmografia, como o estilo musical, o talento e uma voz marcante e lendária.
Apelidada de The Voice por ter sido considerada uma das mais belas e potentes vozes da música mundial.

Entre seus maiores sucessos estão How Will I Know, Saving All My Love For You e I Will Aways Love You, trilha sonora do filme O Guarda-Costas (1992).

Esse foi seu primeiro papel como protagonista e enorme sucesso no inesquecível filme O Guarda-Costas ao lado de Kevin Costner, em 1992.

A trilha sonora original do filme, cantada por ela, ganhou o Grammy de 1994 de Álbum do Ano. Seu primeiro single, I Will Always Love You, se tornou o mais vendido por uma artista feminina na história da música.

My Love Is Your Love (1998), quarto álbum de estúdio, é considerado um dos melhores da cantora, com hits como Heartbreak Hotel e When You Believe. O disco vendeu mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo.

E seu disco Just Whitney... de 2002, é um dos discos mais discutidos de sua carreira, pois revela ainda mais seus problemas pessoais.

Faz parte de seu memorável histórico musical: 02 Emmy Awards, 06 Grammy Awards, 30 Billboard Music Awards, 22 American Music Awards ... foram 415 prêmios conquistados ao longo de sua carreira até 2010 e mais de 55 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Sucesso total.

O soprodeideiasnoar presta homenagem àquela que foi e será eternamente lembrada pelo seu jeito doce e meigo e pela possante e brilhante voz de todos os tempos. Para ser recordada e reverenciada.  Inesquecível.